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Os mais vendidos

Bruno Scuissiatto

A cada semana os principais jornais e revistas do país trazem a lista dos mais vendidos nas livrarias. Isso é um dos processos de divulgação do mercado editorial, que acaba colocando na vitrine uma série de livros divididos nas categorias – ficção e não ficção. Ao analisarmos as obras freqüentadoras da lista de janeiro no Brasil, perceberemos o quanto os conceitos acabam muitas vezes restritos aos títulos. Por exemplo, os romances de Stephenie Meyer – Eclipse e Lua Nova estão no montante de ficção, enquanto Lua Nova – Guia Oficial do Filme de Mark Cotta Vaz é colocado na categoria não ficção.

Seria apelativo demais saber como o critério de ficcionalidade ou não é praticado na elaboração da lista dos mais vendidos?

Estudos recentes apontam que à partir do momento que um nome está impresso em uma página de algum livro, ele se torna um personagem, e na literatura não existe realidade diferente daquela em que se está concebida. O pensador grego Aristóteles (384 a. C) chamou de mimese o conceito na qual a literatura é vista como imitação da realidade, sendo a literatura capaz de fazer esta reprodução. Partindo desse pensamento aristotelico podemos indagar que a divisão em ficção e não ficção se torna um aparato perigoso, pois mesmo em biografias, gênero com uma grande vendagem no mercado editorial, muitas vezes traz um ponto de ficcionalidade nem um pouco velado na narrração dos fatos. Certamente existe um apego grande de inúmeros leitores com o compromisso da verdade absoluta, como se a literatura tivesse a obrigação de compactuar deste pacto. Neste viés, o mercado editorial percorre o caminho inverso de muitos escritores, principalmente os produtores de ficções, que exaustivamente escutam que o romance e o conto morreram. Em séculos passados Proust, Joyce, Kafka, Machado, Eça e tantos outros escutaram isso. Talvez a única explicação depois de tanto tempo é saber que os autores morreram, mas os narradores estão em novas edições, ou amarelados e empoeirados em estantes de sebos. Neste primeiro mês de 2010 a única obra brasileira figurando entre os mais vendidos no Brasil é a  da apresentadora Ana Maria Braga com o seu Mais Você – 10 anos. Pensando bem, o leitor é o único que não pode morrer.

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Categorias: Literatura

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