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Por um fio

Você já ouviu falar do CVV? Conheça um pouco desse centro, que salva vidas ao atender o telefone

por Giovanna Gomes

Em uma casa humilde, na região do Jabaquara, está concentrado um dos oito postos do Centro de Valorização a Vida da capital. Localizada na esquina do metrô São Judas, ao lado de um posto policial, o simples habitar de cor azulada se tornou um ponto de referência entre os moradores da região. Na entrada encontra-se uma mensagem que diz: “Aguarde, pois estamos em atendimento.” Dentro, a cor azul permanece, mas o tom escuro predomina. Apesar de simples e pequeno, o lugar interno é composto por três cabines de atendimento e um escritório com uma boa iluminação, o único do local.
Fundado na cidade de São Paulo em 1962, o CVV só foi reconhecido como entidade pública 11 anos depois. O grupo também desenvolve atividades filantrópicas com o Hospital Francisca Julia, onde a principal ajuda vai para os dependentes químicos. Alem de se absterem de qualquer tipo de política e religião.
Cássia, que não quis divulgar seu nome completo, é a responsável pelo posto do Jabaquara e é a porta voz de lá. “ Não só nesse, como nos outros postos regionais, o CVV trabalha com o rodízio dos funcionários. Aqui a escala é de seis plantões, cada um com quatro horas de duração,” explica a porta voz, que atende a estudantes e professores de diversas universidades para realização de trabalhos acadêmicos, além de coordenar um grupo de 30 voluntários.
Com 47 anos de história e 53 postos em todo Brasil, cada posto tem seu próprio Grupo Executivo. Cássia está entre os 2.700 voluntários que trabalham gratuitamente a favor de quem liga, ela é formada em Educação Física e trabalha como autônoma. “ Eu estava curiosa e por isso resolvi ligar para obter mais informações sobre o centro, mas minha vida mudou muito, casei e tive filhos, só consegui entrar para a instituição há mais ou menos três anos,” conta.
O CVV é conhecido em quase todo o país e ainda desperta muita curiosidade entre as pessoas, apesar disso muita gente não sabe de sua trajetória e nem da sua principal missão. “ A maioria das ligações querem ouvir soluções, mas nós não damos, e isso deixa as pessoas irritadas. Agente não interfere na vida de ninguém que liga, só escuta e tenta fazer a pessoa entender o que esta ocorrendo do próprio ponto de vista dela”, explica.
O posto do Jabaquara nem sempre esteve no lugar onde esta hoje, “Aqui era um sanitário, a casa foi cedida pela prefeitura da região. Mas demorou um pouco para mudarmos para cá, primeiro passamos pelo Hospital Saboia e depois pela igreja São Judas,” lembra . O sistema de atendimento usado por eles é baseado nos métodos do reverendo Chad Varah, que após notar um aumento de suicídios em seu país adotou uma técnica que consiste em não aconselhar e nem dar palpites para ninguém, apenas servir de apoio e escutar. “Para isso usamos o método do espelho, que ajuda a pessoa a enxergar seu conflito através do que ela nós conta”, explica Cássia.
Ao contrário do que é dito, as ligações feitas para o CVV não tem relação com suicídio. De acordo com a própria coordenadora, de um milhão de pessoas que solicitam o serviço somente uma delas é suicida. “Atendemos mais de 100 ligações durante o dia, desde solitários, tristes a trotes e enganos. Nosso trabalho é justamente evitar que a pessoa chegue ao ponto de se matar,” afirma. Em cada cabine, os voluntários usam o que eles chamam de “ Triângulos das Bermudas”, um pequeno organograma que os orienta a como dialogar em cada situação. Cássia explica que para obter essas técnicas, todos que começam o estágio são obrigados a fazer o curso de aperfeiçoamento dado pelos próprios funcionários.“ Dura a cada dois ou três meses por ano para quem entrar na equipe, são três horas de aula realizadas nos fins de semana.”. Já para os veteranos é feito reuniões mensais, onde eles expressam suas angústias e fazem simulações de atendimento, sempre mantendo o sigilo de quem liga.
Mesmo sem ajuda do governo, a instituição sobrevive de doações voluntárias, onde a grande parte delas são feitas pelo próprio grupo. Apesar disso, eles participam de dois festivais anuais para arrecadar fundos, o primeiro em Maio e o outro em Outubro. Esse evento existe há mais de cinco anos e ajuda na divulgação do centro, já que os mesmos não tem verba para divulgar na grande mídia. Uma coisa é certa, a instituição está viva até hoje graças ao seus voluntários. Por isso o uso dos critérios para seleciona –los é bem rígido, sendo que a primeira falta sem justificativa significa expulsão. Quem quiser fazer parte dessa equipe, tem que ser maior de idade e se inscrever pelo site www.cvv.org.br.
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Categorias: Especial, São Paulo

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um comentário em “Por um fio”

  1. Sylky
    9 de março de 2010 às 16:39 #

    boa matéria, interessante!

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