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Avatar

Por Rodrigo Schiavini

Quase uma década sendo criado. Mais de 400 milhões de dólares consumidos entre orçamento de produção, pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e marketing . O ano era 1997. Após muitos meses de turbulenta produção, James Cameron finalmente se preparava para lançar o seu trabalho mais ambicioso. À época, contava-se que Titanic era o filme mais caro de todos os tempos e que jamais alcançaria nas bilheterias o retorno do investimento. Muitos imaginavam um desastre total e manchetes óbvias já eram criadas associando a palavra “naufrágio” ao – supunha-se – pífio desempenho da produção. Como hoje se sabe, a grande maioria estava enganada e Titanic fez história. Ao longo dos anos, tornou-se possível analisar Titanic de forma mais distante, longe de todo o hype. Indiscutivelmente, a história do amor de Jack e Kate em meio ao naufrágio mais famoso de todos os tempos ganhou seus detratores, muitos deles apenas receosos em aplaudir um sucesso dessa escala. Titanic, porém, é um grande filme. Com problemas, sim, como momentos piegas e roteiro por vezes superficial, mas um filme que leva o espectador a uma viagem fantástica e a uma experiência única.

Pois Avatar, de certa forma, é como Titanic. Mais uma vez, a expectativa pelo produto final era alta. Mesmo que o material liberado até então não empolgasse, Cameron dizia se tratar de uma obra revolucionária, que poderia modificar o cinema daqui para a frente. Como há doze anos, muitos já asseguravam o fracasso do filme. Avatar, porém, para resumir em apenas uma palavra, é deslumbrante. Assim como Titanic, tem problemas narrativos típicos do cinema de Cameron, mas é uma obra incrível e empolgante, com grandiosidade poucas vezes igualada.

O diretor, roteirista e produtor James Cameron entrega um produto à altura de toda a expectativa criada. Pandora, o mundo alienígena que ele imaginou, respira nas telas. Cada planta, cada criatura, cada ecossistema parecem reais, como se desenvolvidos por botânicos ou geneticistas. O nível de detalhes (prepare-se para espantar mosquitos da tela) é embasbacante, impossível de ser absorvido em apenas uma visita. Já os Na´Vi, a raça inteligente do lugar, são organizados em uma sociedade que parece um amálgama de todas as grandes civilizações indígenas da Terra. Conceitos de energia e religião consagrados da ficção científica também encontram espaço importante: Pandora tem sua própria “Força”, que ganha aqui uma qualidade tátil interessante através de conexões físicas – um tema, não por acaso, recorrente a todo Avatar. Já tudo o que se refere aos humanos (design, motivações, etc.) é conhecido e testado (inclusive pelo próprio Cameron em Aliens – O Resgate), equilibrando a estranheza Na´Vi.

 A história de Avatar se passa no futuro e leva o espectador a um planeta chamado Pandora, onde os humanos estabeleceram pequenas bases militares com o objetivo de obter um valioso minério encontrado apenas naquele solo. É lá que desce Jake Sully, militar preso a uma cadeira de rodas. Sully vai fazer parte do chamado programa Avatar, que o permite assumir o corpo de um Na’vi, espécie habitante do local, para conhecer um pouco mais sobre os nativos. Aos poucos, Sully vai entrando em contato com a cultura e se identificando com aquele povo, ao mesmo tempo em que se apaixona por uma delas. Mas quando os militares declaram guerra aos Na’Vi, Sully precisa decidir o lado no qual quer lutar.

Muito se falou, ainda antes do lançamento, sobre a revolução tecnológica que Avatar iria causar. É difícil, no entanto, mesmo após assistir ao filme, mensurar o impacto que ele terá em produções futuras. Essa é uma daquelas afirmações que somente o tempo pode fazer. Revolucionário ou não, é inegável que se trata de uma imensa conquista e um filme espetacularmente bem feito. O CGI e a captura de desempenho atingem outro nível com Avatar, em um avanço nítido e claro até mesmo a olhares menos acostumados. Essa conquista fica muito clara quando se vê os personagens em tela: a fluidez de movimentos e as expressões faciais são absolutamente impecáveis. Cameron conseguiu, inclusive, eliminar os olhares vazios das criaturas, maior problema da TECNOLOGIA até hoje – pela primeira vez no cinema, os olhos de personagens gerados por COMPUTADOR parecem ter vida.

O investimento no 3-D estereoscópico auxilia nesse resultado. Com uma profundidade espacial jamais vista no cinema, Avatar tem espaço de sobra para destacar personagens e situações de qualquer coisa que esteja acontecendo nos outros planos. Certos quadros, aliás, são vertiginosos. Cameron sabe muito bem o que obteve e não esconde o jogo: a primeira cena do filme já foi pensada para literalmente ampliar os horizontes da platéia. Nela, Jake Sully (Sam Worthington), fuzileiro naval paraplégico, desperta de sua animação suspensa depois de cinco anos em viagem da Terra a Pandora. Do confinamento de sua cápsula, somos lançados ao interior de uma nave espacial imensa. É o jeito de Cameron dizer que chegou à hora do cinema abandonar certos confortos… Em Avatar, o 3D não serve para mascarar um filme sem idéias ou qualquer valor cinematográfico, mas como forma de tornar Pandora um mundo mais real e, assim, realçar o alcance da história e da jornada dos personagens.

 Falando nisso, a trama de Avatar, apesar de ser o elo mais fraco do filme, oferece o subsídio necessário para que o filme atinja os objetivos propostos. O enredo não prima pela originalidade, seguindo uma estrutura já vista em diversas outras obras, como Dança com Lobos e O Último Samurai, pelo caminho percorrido pelo herói, e Matrix e Substitutos, no que concerne o programa Avatar. As semelhanças com o filme de Kevin Costner, porém, são mais gritantes, uma vez que os Na’Vi são retratados como uma espécie de indígenas: utilizam arco e flecha, não vivem em grandes construções e possuem forte ligação com a sua terra. Quando bem utilizado, como em Dança com Lobos e aqui, este conceito batido acaba fisgando o espectador: difícil não simpatizar com a jornada de um personagem que cresce ao se sentir parte de outro povo e outro lugar, decidindo lutar por tudo aquilo que acredita ser correto, mesmo contra suas próprias origens.

O mesmo vale para o desenvolvimento da relação entre Sully e Neytiri. Por vezes, ela parece apressada, como se pulasse etapas. No entanto, o romance entre os protagonistas funciona em termos gerais e a platéia não somente acredita nesse relacionamento como também torce por ele, o que é fundamental para que as cenas de batalha cresçam em termos de tensão e emoção. Alguns dos momentos nos quais os dois dividem a tela são belíssimos, colaborando para superar os deslizes do roteiro e da narrativa de Cameron.

Mas, obviamente, nada que a tecnologia tivesse conseguido alcançar sozinha. É excepcional o trabalho de preparação de atores. Worthington convence tanto quanto paraplégico alquebrado como guerreiro falastrão. Já Zoë Saldana fala pouco em inglês carregado de sotaque – mas a tecnologia se encarrega de transferir sua interpretação de nativa orgulhosa para o corpo de pixels. Enquanto isso, o Coronel Quaritch (Stephen Lang) – que tem sua própria extensão física – já se estabelece como um dos melhores vilões do cinema recente. Os avatares estão dentro e por trás das telas e as emblemáticas conexões, sejam elas físicas ou narrativas, funcionam além das expectativas e em todos os níveis.

Com Avatar, James Cameron deixa de ser Rei de um Mundo para se tornar Deus de seu próprio planeta. Só nos resta imaginar agora o que vem a seguir…

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Categorias: Cinema

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um comentário em “Avatar”

  1. 22 de julho de 2010 às 13:55 #

    Esse filme está na lista dos melhores filmes que eu já assiti…
    Não existem palavras para descrever o sentimento que inunda nossa tela ao assistir esse filme!

    Uma história de tirar o folego e nos fazer pensar duas vezes em que mundo nós vivemos…
    Nos faz pensar onde queremos chegar…
    Pensamos no conceito das palavras: familia, união, companheirismo, amor, dedicação e etc…palavras essas que não fazem muito sentido nos dias de hoje…

    Um filme que atinge a alma e a consciência das pessoas…ou pelo menos é o que deveria acontecer!!! Comigo foi assim….
    Nota 10 para o filme!

    Abraço,
    Amanda Barrionuevo

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