Anúncios

Por trás das lentes

 O fotógrafo Felipe Rubia fala um pouco do seu trabalho.

Por Soraia Alves

     Todas as pessoas veem as mesmas coisas, mas nem todos as vêm da mesma forma. Esta frase poderia muito bem designar um fotógrafo.
Capazes de perceber aquilo que muitas vezes não damos importância esses profissionais são responsáveis por uma das mais belas e notáveis expressões de arte, que ao longo dos anos ganha mais adeptos e apaixonados.
Entre os novos talentos desse mundo de imagens e momentos, o fotógrafo Felipe Rubia foi o meu escolhido para contar um pouco mais sobre sua empreitada. E por que ele foi escolhido? Deixo que as imagens respondam.

Como e quando você ingressou no universo da fotografia?

Bom, eu comecei a tirar fotografias pra valer mesmo no ano passado. Tenho alguns amigos que enveredaram para o universo da fotografia e sempre acompanhei eles, em algumas saídas fotográficas e com isso fui pegando gosto pela coisa se assim possso dizer, no meio do ano passado eu trabalhava em uma assessoria de imprensa e minha mãe havia comprado umas dessas maquinas de mão que eu levava comigo a todos os lugares e então fui exercitando o olhar. Alguns meses depois eu então sai da assessoria e fui trabalhar no shopping no fim do ano o que me proporcinou poder comprar minha Canon Rebel XTI, que me acompanha em quase todos os lugares que eu vou agora.

Quais fotógrafos te inspiram?

Bom, existem vários fotógrafos que eu admiro e gosto como o mestre da fotografia Henry Cartier-Bresson, David Seymour, Robert Capa, Steve Cccurry, Sebastião Salgado entre outros.

Você fez um livro pra conclusão do curso de jornalismo, o que te influenciou na escolha do tema para as fotos?

Escolhi o tema “moradores de rua” pelo fato de serem pessoas esquecidas do nosso cotidiano, simplesmente os vemos, quando o carro passa velozmente e logo depois não lembramos mais daquela imagem ou ainda quando estamos andando pelas ruas e nos deparamos com eles, mas simplesmente viramos o olhar porque o ser humano gosta de apreciar o belo e não as mazelas do nosso país. Creio que é uma forma de protesto com o descaso da nossa cidade e uma forma de humanizar cada uma dessas pessoas que foram tão marginalizadas pelas ruas.
Muitos deles só precisam de alguém para conversar e que dê algo que falta tanto na nossa sociedade individualista que é o amor, o amor pelo próximo que Jesus tanto pregou.

Como vê o mercado de trabalho para os fotógrafos?

Creio que a fotografia é algo que é de apreciação de todas as pessoas e vemos cada vez mais o surgimento de bons fotógrafos e digo isso até mesmo pelo meu flickr, a quantidade de talentos que podem ser achados é grande, porém creio que se destacam aqueles que têm um diferencial e que conseguem explorar assuntos que já foram abordados de forma singular, diferente daquilo que já vimos. Para ser reconhecido muitas vezes leva anos, e isso vem com o tempo.

O que acha dos paparazzi?

Bom eu acho que os paparazzi têm o emprego deles que é expor a privacidade dos artistas, não tenho muito o que falar, não é o tipo de fotografia que eu gosto, no entanto é aquela que todos nós meros mortais gostamos de ver. O mundo que se constitui hoje preza muito o glamour e a vida desregrada de grande parte dos artistas, e com isso vemos que o mundo cria pessoas cada vez mais preocupadas com aparências, porque são os artistas que ditam a maioria dos padrões que vemos no dia-a-dia.

Que tipo de foto mais gosta de fazer?

Adoro fotos que exploram temas sociais, gosto de realidade, fotojornalismo. Algo que eu tenho muita vontade de fazer (pode parecer meio loucura), mas são fotografias de
guerra, refugiados é algo que sempre me atrai.

Todo fotógrafo tem seu estilo e suas peculiaridades, você tem alguma mania?

Mania acho que não tenho nenhuma, algo que eu vejo é que as vezes quando não estou com a cam, pode acontecer uma coisa simples como um sorriso verdadeiro de alguém, ou alguma imagem que eu veja e sempre fico pensando que poderia estar com a cam naquele momento.

Que dica daria para quem está começando?

Acho que não tenho muita autoridade pra dar uma dica pra quem está começando porque eu me encontro nessa mesma posição, no entanto creio que é sempre bom estar atento a trabalhos de grandes mestres da fotografia, nós aprendemos muito ao ver boas imagens e ficar pensando na forma como aquela foto que nos impressiona foi tirada. Outra coisa é sempre estar com a câmera, treinar o olhar, isso é algo que deve ser feito sempre, e por fim estudar como dizia seu Madruga: “se quiser ser alguém na vida chaves, devore os livros”.

Se é possível escolher, qual a sua melhor foto?

Bom, fica difícil escolher qual é a minha melhor foto, porque eu penso que nossas fotografias são como se fossem um filho, elas carregam um pouco do nosso estilo e sentimento. Essa fotografia que eu escolhi foi clicada perto do Pátio do Colégio, ali nos arredores da Praça da Sé e ela faz parte de um projeto que eu tenho sobre “moradores de rua”. Estava eu andando pelo Centro de São Paulo a procura de moradores de rua que eu pudesse fototografar para o meu trabalho, foi quando eu avistei esse senhor sentado em frente a entrada de um prédo, era Sábado, logo a entrada estava inoperante, e ele estava ali meio desleixado, sabe quando você senta com o tronco meio que deslizando? Foi quando eu tentei conversar com ele, algo que eu sempre faço com todos eles, expliquei que estava fazendo um trabalho sobre os moradores de rua em São Paulo, falei sobre o projeto, mas logo que ele respondeu percebi que falar não era uma das suas especialidades. A voz saia meio que embaralhada juntamente com as palavras que saiam da sua boca, foi quando então pedi simplesmente para tirar uma foto dele. Na mesma hora ele alinhou o corpo, saindo da posição meio que largada para uma em que estivesse com o tronco ereto, então colocou suas mãos sobre os joelhos olhando fixamente para mim. Essa e as outras fotos que fiz desse senhor estão entre as melhores que eu fiz durante todo esse processo que resultou no meu livro de conclusão do curso de jornalismo. Mas ainda continuo a fotografar essas pessoas tão cativantes e que tem histórias surpreendentes.

Flash Questions:

– Um lugar que gostaria de fotografar?

África

– Um filme com imagens perfeitas?

Hotel Ruanda

– Uma foto histórica?

Com certeza a foto do Kevin Carter da criança sudanesa.

– P&B ou colorida?

P&B

– Quem gostaria de clicar?

Che Guevara se estivesse vivo, eu poderia ter feito a foto do Korda (risos)

– E para quem negaria um flash?

Difícil pensar quem eu não fotografaria, porque tanto as pessoas ruins quanto as boas são motivo para serem fotografados, creio que não há alguém que eu não fotografaria, ainda não sei.

Ficou curioso para ver as fotos do Felipe? Visite o Flickr e admire.

Anúncios

Tags:,

Categorias: Fotografia e Artes

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

3 Comentários em “Por trás das lentes”

  1. 11 de dezembro de 2009 às 11:06 #

    Muito bom, fico bem bacana, parabéns a vocês do blog.

  2. Fabricio Rocha
    11 de dezembro de 2009 às 11:16 #

    Realmente, tenho viso alguns trabalhsdo felipe Rubia em seus ies de divulgação das fotos, e as fotos socias que o Felipe tem feito são impressionantes!! Se ele terá um futuro nesse meio, e não sei, mas que tudo indica para SUCESSO isso não tem como negar. Torço por ele e arabéns pela matéria!!!

  3. 11 de dezembro de 2009 às 11:17 #

    Muito legal a entrevista.

    Obs.: Rola uma neve no Blog é isso?

    Abs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: