Anúncios

Especial

O jornalista como vontade e representação

As teorias metafísicas do passado, presente e futuro da profissão

 

Por Érica Perazza e Thaís Teles
 
Em decorrência dos últimos fatos que apunhalaram o jornalismo – que indiretamente interferem nos interesses da sociedade – a Revista Pandora fez um especial exclusivo com três entrevistados cujas experiências e/ou ideias representam o passado, o presente e o futuro do jornalismo.
 
O futuro do jornalismo é também o futuro da sociedade. O profissional se compromete a defender os interesses públicos. São procuras pela verdade, rejeições às mentiras. O jornalista é o quarto poder: ele pode estar onde o povo não pode, ele diz aquilo que silencia inocentes, ele luta contra as armas indestrutíveis das autoridades.
Como Clóvis Rossi define: “Jornalismo, independentemente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente sutil e que usa uma arma de aparência extremamente inofensiva: a palavra, acrescida, no caso da televisão, de imagens. Entrar no universo do jornalismo significa ver essa batalha por dentro, desvendar o mito da objetividade, saber quais são as fontes, discutir a liberdade de imprensa no Brasil.”
(*) O título desta matéria foi inspirado no livro “O Mundo como Vontade e Representação” de Arthur Schopenhauer.

O passado

Jornalismo é o estilo de vida que muitas pessoas escolhem para transformar o mundo num lugar melhor para se habitar, além de ser uma maneira de viver que dignifica e diferencia as nossas vidas.
Sua função iluminista “trazer a luz”, sofreu vários e duros golpes ao longo da História de autoridades oligárquicas e sedentas por poder. Seu nascimento se dá a partir das primeiras gazetas periódicas em fevereiro de 1597 e seu auge em agosto de 1792, quando o governo revolucionário francês suspendeu a liberdade de imprensa e alguns jornalistas foram guilhotinados.
Napoleão Bonaparte, após o golpe de Estado, subjugou a imprensa, pois ele tinha uma consciência clara da sua importância. Regularmente repreendia os censores. A menor crítica deixava-o furioso. Bonaparte calou os opositores e empenhou-se em utilizar o poder dos jornais a serviço de sua propaganda na França e no exterior.
No Brasil, não foi diferente. Getúlio Vargas por decreto presidencial em dezembro de 1939, criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), segmentado em setores de divulgação, radiodifusão, teatro, cinema, turismo e imprensa. Cabia-lhe coordenar, orientar e centralizar a propaganda interna e externa, fazer censura ao teatro, cinema e funções esportivas e recreativas, organizar manifestações cívicas, festas patrióticas, exposições, concertos, conferências, e dirigir o programa de radiodifusão oficial do governo. Vários estados possuíam órgãos filiados ao DIP, os chamados “Deips”. Essa estrutura altamente centralizada permitia ao governo exercer o controle da informação, assegurando-lhe o domínio da vida cultural do país. Na imprensa, a uniformização das notícias era garantida pela Agência Nacional. O DIP as distribuía gratuitamente ou como matéria subvencionada, dificultando assim o trabalho das empresas particulares. Contando com uma equipe numerosa e altamente qualificada, a Agência Nacional praticamente monopolizava o noticiário.
Nos países democráticos como o nosso, o trabalho jornalístico é protegido por lei ou pela constituição. Isto inclui, muitas vezes, o direito de o jornalista preservar em segredo a identidade de suas fontes, mesmo quando interpelado judicialmente.
O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece normas para a liberdade de expressão e de imprensa. No entanto, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras (Reporters Sans Frontières), 42 jornalistas foram mortos no ano de 2003, principalmente na Ásia, enquanto outros 766 estavam presos.
A Lei de Imprensa, criada no regime militar, foi revogada e este ano o jornal brasileiro “O Estadao de São Paulo” está sob censura há mais de 30 dias em decorrência de reportagens publicadas pelo jornal sobre a Operação Boi Barrica. Segundo matéria publicada no site do jornal em 31 de julho: “O recurso judicial, que pôs o jornal sob censura, foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney”.
Não é de agora os desafios enfrentados na profissão como adaptar-se às novas mídias emergentes e ao mesmo tempo ser polivalente para continuar no mercado.
Alberto Tamer, renomado jornalista econômico, que tem mais que meio século de experiência e fez 50 anos no Estadão no ano passado, conta uma pouco dessa história.
Para ele foi difícil adaptar a sua carreira à internet: “Quando a internet foi trazida ao Estadão eu já tinha 63 anos. Passar da máquina Olivetti para este mundo era muito complicado, ainda mais porque não oferecia as facilidades que oferece hoje, não tinha programas como o Word, por exemplo.”

 

Demorou para Tamer perder o costume da máquina de escrever e ter sua primeira experiência com tecnologia: “Resistimos à uma quebra do hábito, mas quando percebemos que o resultado era ótimo, que poupava tempo, percebemos que aquilo tudo era maravilhoso. A Reuters foi pioneira em passar as informações por telefone. Era uma máquina enorme onde havia alguns telefones. Levava duas horas pra escrever a matéria e cinco para enviá-la. O Estado tinha um serviço que tinha gente que lia a matéria pelo telefone.” Tamer confessa que foi o último na redação a ceder à revolução da tecnologia, mas que compensou escapar da lentidão: “No começo eu não acertava, mas hoje com dois comandos a gente manda uma matéria para qualquer lugar do mundo”.

 

O presente

 
A Revista Pandora encontrou Rafael Cortez, repórter do programa CQC da Rede Bandeirantes, para uma conversa sobre os principais acontecimentos vividos nas atualidades.
O maior desafio hoje, segundo Cortez, é o resgate do ideal jornalista como formador de opinião, da neutralidade e da credibilidade.

O advento de novas ferramentas da web trouxe aos profissionais de gerações anteriores o desafio de adequação às novas formas de informar. Alguns acreditam que o surgimento dessas possibilidades pode contribuir para a banalização da arte de informar, porém Cortez encara essa nova fase com otimismo: “Talvez essas novas práticas possam ser uma ameaça para o jornalismo tradicional. Mas que servem mais para somar do que para ameaçar”, afirma.

Rapidez, instantaneidade, pressa em informar, o desejo de superar os limites da velocidade tecnológica. O jornalismo passa por um processo paradoxal, no qual as diversas ferramentas estão à disposição dos usuários e facilita a comunicação, mas colaboram para que informações sejam cada vez mais superficiais. Sobre essa simultaneidade de processos de mesmo gênero, porém com percursos e ambições contrárias, Cortez afirmou: “ É ilusão pensar que isso ocorre por causa da internet, que tudo isso ganha mais simplicidade, que se torna mais rápido, menos profundo e mais superficial. Já via isso acontecendo. O jornal hoje não tem mais aquela apuração de antes. As coisas estão mais perspicazes ou então vemos como Tom Zé dizia: ‘Jornal derramando sangue’ ”.
Antes de se tornar nacionalmente conhecido, Rafael teve diversas experiências como jornalista, uma delas foi na produção de notícias para celulares. “Era mais ou menos como o Twitter, na verdade, eram alguns caracteres a mais”. O desafio de resumir informações a partir de um número reduzido de caracteres, segundo Cortez “era ridículo e era em plena época do mensalão, como era possível se atualizar em pouco mais de 200 caracteres?”. Cortez vê essa maneira compacta de informar como um problema e conclui: “Não acho, porém, que seja sensitivo apenas nesse circuito de internet, de novas mídias. Eu acho que o jornalismo em geral está pobre e preguiçoso.”
O Twitter é uma nova onda que causou uma veloz revolução na internet. O movimento “Fora Sarney” teve grande repercussão da mesma forma que a campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos. A ferramenta interagiu e diminuiu a distância entre eleitores dos candidatos e se firma como um auxílio na melhoria política. Rafael acredita que pode ajudar a aproximar a notícia do público, a comunicar mais os fatos. Entretanto, “ninguém vai se informar, se politizar, melhorar seu conteúdo através dele. Talvez seja bom para provocar interações e debates entre as pessoas. Na minha opinião, o que educa é o livro. Sou cada vez mais fã de livros. Acho que, ao invés de ficar massacrando os alunos com aqueles velhos clássicos, as escolas poderiam incorporar boas obras que focassem cada vez mais na formação cultural, política das crianças. Tudo isso para que os alunos começassem a criar uma visão de sociedade a partir da primeira educação. O Twitter pode ser um auxílio na interação, na aproximação de pessoas e pode gerar discussões enriquecedoras acerca de diversos assuntos. Mas a mudança e a educação dependem de bons livros e professores”.
Em decorrência de um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o ensino superior tornou-se essencial em qualquer área. Nos últimos anos, o jornalismo tem sido um dos cursos mais procurados tanto nas universidades públicas quanto particulares. Contudo, o desejo de ingressar no mercado supera, em muitos casos, a realização de projetos e idéias inovadoras de muitos estudantes. Cortez supõe que isso acontece por causa das faculdades, as quais não possuem premissa de provocar experimentação, troca de idéias e questionamentos em cima de textos.
A polêmica sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo mobilizou diversos universitários, instituições de ensino e empresas de comunicação, algumas a favor e outras contra a decisão do STF (Superior Tribunal Federal). Essa situação obrigará muitas instituições a repaginarem seus cursos para que o profissional conquiste uma maior bagagem cultural. Rafael Cortez afirma que “o principal prejudicado dessa decisão tomada pelo STF ainda é a universidade, pois é um desestímulo à inserção do aluno a espaços universitários. Muita gente vem perguntar para mim se vale a pena. As pessoas pensam em fazer o curso, mas ficam inseguras quanto ao mercado.”
Com a decisão do STF qualquer um pode ser jornalista e isso alimenta um pouco na sociedade uma idéia de Macunaíma, ou seja, uma multidão sem pátria. Cada indivíduo tem em si a idéia de que não há necessidade de estudar, pois pode ser presidente da república ou jornalista. Não há mais a valorização do conhecimento, da educação nem do jornalismo como um serviço à sociedade. “Não vejo mais nenhum jornalista nato daquele que eu exclame ‘Nossa, esse cara está preocupado com a notícia’, ou que estejam comprometidos com o papel de formador de opinião. Parece um conceito jogado às traças.”, afirma Rafael.
 
Um dos fatores que o STF alega para não exigir o diploma é que a profissão é inconstitucional, pois é de lei que todos são livres para expressar o que quiserem. Mas o jornalismo não é isso. É “informar para transformar”, um serviço necessário à sociedade em geral e que exige uma formação profissional para exercê-lo de maneira correta e equilibrada. A aprovação de tal medida contribui para que a apuração de notícias sejam uma medida irrelevante. Dessa maneira há o risco de que episódios importantes para a sociedade sejam superados por banalidades, ou seja, infringe numa futura perda de credibilidade na imprensa. Cortez já vê que o jornalismo está perdendo a credibilidade e que inclusive os próprios jornalistas estão desacreditados: “Existem muitos profissionais insipientes que exercem a profissão de maneira irresponsável em contraponto aos que fazem uma contribuição significativa.”
Os jornalistas que deveriam escancarar verdades silenciadas numa investigação criteriosa, por falta de interesse, preocupação e até de ética, mostram a realidade como se ela fosse apenas uma vitrine.
Por sua vez, a opinião pública oscila e não se consolida. A consciência da responsabilidade social que contribui para um mundo mais aberto e democrático e à uma sociedade que compreende melhor a si mesma e ao mundo, se perde em ângulos congruentes dos acontecimentos.
A prática jornalística tem passado por uma série de mudanças ao longo dos últimos trinta anos. A sonhada liberdade de expressão e de imprensa “que tantos defenderam com unhas e dentes” culminou numa atual “liberdade de empresa”. A monopolização da informação nas mãos de verdadeiros senhores feudais da comunicação contribui também para que a credibilidade do profissional de informação seja colocada em xeque. “O desejo da liberdade de expressão na época da ditadura equivalia ao sonho da casa própria na época do Collor. É uma coisa que foi tão desejada, tão batalhada, foi tão deslumbrada. Acho que é um direito nosso, mas que muitas vezes é mal empregado, ou seja, em nome da liberdade de expressão as pessoas podem falar o que querem, podem empregar o mau jornalismo, pode surgir as figuras desagradabilíssimas dos paparazzi, de pessoas que se utilizam da credencial rotulando-se como jornalistas. Mas também em nome da liberdade de expressão você tem revista interessantes, inteligentes, professores bacanas, cursos legais dando continuidade à uma formação sólida. Ainda gosto mais da liberdade de expressão do que desaprovo.”
Mentiras, loucuras, doenças, mortes, paixões. O caos sai da caixa de pandora todos os dias. As mídias – TV, rádio, jornal, revista, internet – imortalizam os fatos espetaculares do cotidiano com palavras e imagens. A notícia não informa mais, não transforma mais, perdeu a sua essência funcional, somente entretêm as pessoas durante sua programação, provocando mais absorção de conteúdo do seu público do que reflexões instigantes ao senso crítico. “A mídia mais expoente, os programas mais assistidos eles não têm essa capacidade.”, afirma Cortez, e ainda confessa que sente que as pessoas se mostram cada vez mais indiferentes à informação, aos fatos políticos, e “têm uma necessidade de absorver rapidamente conhecimento sem precisar refletir sobre os fatos”. Essa situação é um reflexo da acomodação das grandes corporações em simplesmente “comunicar as coisas”. O jornalismo sensacionalista transforma o valor de notícia, gerando a perda de sua principal função de informar com credibilidade e imparcialidade.

As pessoas estão submersas em imediatismo e as maneiras que os grandes jornais contribuem para a satisfação dessas necessidades, faz Rafael Cortez acreditar que “os grandes jornais que estão em pauta e são vistos e lidos por tanta gente cotidianamente não são grandes fontes de conhecimento, não são fontes de muito conteúdo, pois não há aprofundamento de nada.”

 
Porém, é importante olhar o que tem no fundo da Caixa de Pandora. “Existe um mercado promissor nesse meio da mídia alternativa. Aliás, o circuito alternativo, de um modo geral, virou uma solução de inserção de trabalho, de conhecimento, de esperança, um oásis”. Cortez afirma com base em sua própria experiência.

Em 2005, Rafael gravou um CD independente de música instrumental com a intenção de lançá-lo por uma gravadora. “Eu era um cara desconhecido, visionário, iludido, romântico até o meu CD parar nas mãos do produtor Roberto Menescau que me disse ‘Seu som não interessa a ninguém no circuito comercial. Ninguém vai querer saber de você no circuito agressivo, oficial, mas no circuito independente tem uma oferta enorme pra você.’ A partir de então eu comecei a trabalhar com tudo no alternativo sem cair no comum. Eu fazia tudo no independente desde o trabalho de músico até no teatro, depois no jornalismo e, a partir deste, consegui o trabalho no CQC e estou aqui.”

Dessa maneira, Cortez afirma que paralela às grandes corporações da notícia há um mercado de grande riqueza: a mídia alternativa e conclui: “É uma pena que esse mundo alternativo não tenha tanta visibilidade quanto os grandes jornais, e dificilmente terão, mas aos poucos as pessoas que expressam suas idéias de maneira independente conquistarão seu espaço. Jornais alternativos assim são os que eu apóio. O compromisso com o papel de formador de opinião, que é aquele ideal clássico do jornalismo e que as pessoas estão abandonando, não é desestimulado. Estão publicando para poucas pessoas com a intenção de falar com milhares. Mas só nesse pequeno público você já influenciaram a opinião de dez, quinze, cinqüenta pessoas! Acho que nessas iniciativas, às vezes, as pessoas ficam trabalhando em uma esfera de produtos e coisas que parecem não interessar a ninguém, mas um dia isso dá algum resultado”.

 
O CQC, criado na Argentina e adaptada para o público brasileiro, é o resultado de uma reinvenção do jornalismo de uma maneira criativa e ética. Contudo, Rafael Cortez não gosta dessa glamourização em cima do programa já que é “um programa que tem problemas como qualquer outro e que tem que mostrar serviço o tempo inteiro. Essa premissa toda de qualidade, de reinvenção, de jornalismo de entretenimento fez com que esteja atrelado ao ideal de pretensão e é uma cobrança violenta. O Tas diz que temos um telhado de vidro em 2009, e é verdade, pois tem uma galera esperando o primeiro lapso. Ninguém mais ficar lembrando dos êxitos, das coisas que a gente conseguiu. Na hora que dermos uma “bola fora”, tudo isso vai sumir.”

A profecia jornalística

Pedimos para o professor de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), José Salvador Faro profetizar o jornalismo, mas ele acredita apenas em suposições. “Eu imagino que o jornalismo está passando por um processo de dilatação conceitual. Ele era sustentado pelo objetivo de ser uma prática profissional restrita e as tecnologias detonaram essa idéia a ponto de se questionar o próprio fundamento do jornalismo, se ele deve trabalhar só com a informação pura e simples, se deve trabalhar com a interpretação. Isso também colocou em xeque a própria especialização do jornalismo. Chegou-se ao extremo de pensar que qualquer pessoa pode ter o seu próprio jornal, é uma promessa que a técnica faz, mas ela certamente não preenche o jornalismo. Então ele passa por uma contradição, ele se dilata no processo de produção, mas restringe suas possibilidades de aprofundamento. São dois movimentos: um movimento que se dá na horizontal, que a tecnologia permite, mas o movimento que se dá na vertical a tecnologia inviabiliza, pois para acompanhar a velocidade e a dimensão da técnica eu tenho que abandonar a profundidade em favor de uma outra dimensão do tempo.”
Faro prevê uma situação de permanência dessa contradição durante um bom período, pois se o jornalista for atrás das promessas que a técnica faz, ele abandonará sua promessa de aprofundamento. Se ele for atrás do aprofundamento, “coisa que eu acho muito difícil numa sociedade como a nossa acompanhar”, ele fica superado pela técnica. O Professor não tem uma visão positiva “não no sentido de ser boa, concreta, objetiva”. E por mais que ache a palavra profetizar pesada, ele afirma que o jornalismo está vivendo uma crise de longa duração, pois essas questões não serão resolvidas apenas numa década. Segundo ele, esta crise, contudo, não é decorrente apenas do surgimento da internet ou das mídias que nascem a todo momento.
“Eu acho que essa crise já está em gestação desde quando começamos a perceber que alguns valores padrões da sociedade moderna entraram em crise, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial. Na verdade, isso já havia acontecido no final do século XIX, mas depois da Guerra essa situação se intensificou. Padrões clássicos de leitura do mundo já não são suficientes para interpretar toda a sua complexidade. Logo, o jornalismo é parte desses padrões clássicos de visão de mundo, um fruto da modernidade que foi entrando em crise junto com outros processos, como o conhecimento científico, as várias teorias que explicam o mundo como o próprio jornalismo.”
 
Para ele a arte não se ressente tanto da internet como o jornalismo, pois ela buscou novas linguagens. A revolução tecnológica parece que vem aprofundar em nível inimaginável todo esse conjunto de crises que significam rupturas e que nos põem à deriva. Ela se deu sobre os meios de comunicação e influenciou diretamente esta profissão, uma vez que lida com a matéria-prima das próprias mudanças técnicas, que é a informação.”Se uma informação demora para chegar até o destinatário isso diz respeito apenas ao veículo de informação, não diz respeito à concepção da arte ou algo do tipo. Esse impacto foi muito preciso, foi nevrálgico, pega no nervo do jornalismo.”
 
Anúncios

Tags:, , , ,

Categorias: Educação e História, Especial, Território Nacional

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Especial Semana do Jornalismo « Pandora - 27 de maio de 2010

    […]  O jornalista como vontade e representação […]

  2. Paralisia educacional « Pandora - 26 de outubro de 2010

    […] O jornalismo como vontade e representação Profissionais da área falam sobre o passado, presente e futuro da profissão   […]

  3. Paralisia educacional « Pandora - 27 de outubro de 2010

    […] O jornalismo como vontade e representação Profissionais da área falam sobre o passado, presente e futuro da profissão […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: