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Refrigerante: o novo cigarro?

Afirmar que essa comparação é verdadeira pode fazê-la soar absurda. Porém, não é mais absurdo dizer que o refrigerante é um dos males da sociedade pós-guerra fria. Muito além de uma simples empresa de refrigerantes, a Coca-Cola tornou-se um símbolo do triunfo capitalista dos anos 90 em diante.
Carregando mais seu significado ideológico do que seu gosto doce, as latinhas vermelhas — ironicamente vermelhas — invadiram as prateleiras do mundo todo, de maneira arrasadora nas nações cobertas pela cortina de ferro e também nos países periféricos e recém saídos de um regime militar. Sempre utilizando o imperativo nas propagandas — beba! —, pouco importa a saúde dos consumidores com o desespero em vender mais.
Uma latinha de refrigerante de 350 ml possui, em média, 150 calorias. Estaríamos ingerindo a mesma quantidade de calorias caso comêssemos, sem cerimônia, dez colheres de sopa de açúcar. Bebendo essa quantidade de refrigerante diariamente, chegamos ao final de um ano com arredondados sete quilos a mais.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem no mundo 1,6 bilhões de pessoas que estão acima do peso, enquanto os considerados obesos são 400 milhões. No século em que um dos principais males já é a obesidade, o termo “globesidade” viaja pelo mundo na velocidade da internet.
É claro que os refrigerantes não são os únicos vilões em toda essa história, mas têm participação catastrófica. Quando ingerimos alimentos líquidos, nosso organismo “falha” por motivos desconhecidos: as calorias líquidas não são detectadas instantaneamente por nosso corpo e continuamos com a sensação de não estarmos saciados. Com isso, comemos mais, engordando mais.
Assim como os cigarros, o refrigerante começa a ser banido da televisão em alguns países. Na França e na Inglaterra, as propagandas de refrigerantes estão sendo, pouco a pouco, proibidas de serem veiculadas. No México, muitas escolas já não oferecem refrigerantes para os alunos nas suas lanchonetes.
No Brasil, o consumo de refrigerantes cresce junto com o número de obesos. Em 1975, os brasileiros utilizavam, aproximadamente, 0,43% de sua renda mensal para comprar refrigerante, quando 7,8% das mulheres e 2,8% dos homens eram considerados obesos. Em 2003, 2,12% da renda familiar era destinada aos refrigerantes, e a quantidade de mulheres obesas subiu para 12,7%, acompanhada dos 8,8% de homens também obesos. O slogan da propaganda da Coca-Cola “Enjoy” está sendo realmente levado a sério.

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Categorias: Artemis, Saúde

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