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Sem ler nem escrever

Analfabetismo estável no país
Pelo menos 14,2 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever no Brasil

  

Por Jéssica Oliveira
 
Aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do analfabetismo funcional – quando a pessoa sabe ler e escrever o próprio nome, mas não consegue fazer uso da escrita nas atividades cotidianas – que atinge outras 30 milhões de pessoas. · Confira a pesquisa do Pnad, em PDF. Em 2008, a taxa de analfabetismo se manteve praticamente estável. Ainda hoje, um em cada 10 brasileiros é analfabeto sendo que no Nordeste, o índice de analfabetos é quase o dobro do nacional, com 19,4%.
 
 
Quando a estabilidade não é bem-vinda
 
Entre de pessoas de 10 a 14 anos de idade, a taxa de analfabetismo ficou em 2,8%, o que configura uma queda de 0,3 ponto percentual em relação a 2007. O analfabetismo funcional, foi de 21%. Uma queda de 0,8 ponto percentual em relação a 2007. Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, acelerar a queda do analfabetismo depende de medidas para atrair os adultos para escola, além do combate às desigualdades sociais e raciais.
“As estratégias não conseguem mais surtir efeito”, afirmou. “Mesmo em São Paulo, o estado mais rico da Federação, há um grande contingente de analfabetos. As pessoas não acreditam que podem voltar ao mundo do conhecimento. Para alcançá-las são necessárias campanhas, mais recursos e uma gestão melhor”, acrescentou Daniel Cara.
Sérgio Haddad, Presidente da Ação Educativa, o analfabetismo funcional é um fenômeno novo, que se deve, principalmente, à baixa qualidade do ensino público. “Esse é um fenômeno recente porque antes não existia o direito à escola. Ou seja, antes as pessoas não passavam pela escola, agora elas passam, mas a qualidade é tão ruim que, na verdade, elas passam e não adquirem os conhecimentos necessários. Elas têm noções de leitura e escrita, mas não o suficiente para utilizar no seu cotidiano”, critica. A pesquisadora Vera Masagão aponta, além da falta de qualidade do ensino, o baixo número de anos de estudo.
“A maioria das pessoas está saindo da escola sem completar sequer o ensino fundamental. Para o sujeito ser um usuário da leitura e da escrita, entender alguma coisa, não basta o beabá. Ele precisa se socializar nesse universo de cultura escrita e para isso é necessária uma escolarização mais alongada.”
“Ou seja, antes as pessoas não passavam pela escola, agora elas passam, mas a qualidade é tão ruim que, na verdade, elas passam e não adquirem os conhecimentos necessários.”

 

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Categorias: Educação e História, Território Nacional

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