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Literatura no centro de São Paulo

No centro antigo de São Paulo, tudo se confunde. Seus prédios centenários e ruas estreitas parecem não ter destino certo, mas sempre trazem à tona recordações e lembranças de momentos históricos que nunca serão esquecidos.

E cegos pela pressa paulistana, andamos quase automaticamente pelas ruas, às vezes sem olhar para os lados e nem mesmo para as pessoas à nossa frente. Da mesma maneira, passamos por quase todos os sebos do centro antigo sem perceber que estão ali há décadas.

Mas não é para menos. Encontrar um sebo no centro não é uma tarefa das mais fáceis. Como pequenas minas, mas lotadas de diamantes já lapidados por seus autores, os sebos se escondem na paisagem urbana de São Paulo, em um curioso contraste entre a vida moderna nas ruas e os livros de 50 ou 60 anos enfileirados nas prateleiras. Estão nas ruas São Bento, Líbero Badaró, João Bricola, avenida Liberdade e outros endereços, espalhados por esquinas, nos andares de antigos edifícios e até mesmo em galerias subterrâneas.

Nesses lugares, poemas de Pablo Neruda esperam que outro leitor os levem para recitá-los novamente, enquanto Gabriel García Márquez escancara as feridas da América Latina sem qualquer pudor. Um pouco antes, nos livros agrupados pela inicial do sobrenome de seus autores, na letra L Clarice Lispector dá um sopro de vida, carregado por seu sotaque de mulher meio brasileira, meio ucraniana, na mesma prateleira em que “O Lobo do Mar”, obra de Jack London publicada em 1904, toma mais um pouco de poeira.

Há uma característica comum entre todos os sebos do centro, que é notado logo ao entrarmos: um pitoresco cheiro de mofo. Mas, de maneira alguma, é um motivo para espantar a clientela — muito fiel, diga-se de passagem. Pelo contrário; o aroma de antiguidades é convidativo e irresistível para amantes da leitura, além dos baixíssimos preços cobrados.

Durante muito tempo dos seus 18 anos, Marcela Felipe, estudante, frequenta os sebos — e seguramente continuará frequentando. “Entrar em um sebo é como entrar em uma máquina do tempo. Não desmerecendo os [livros] novos, mas os livros de sebo têm um charme inigualável”, assegura a estudante.

Livros que carregam não apenas a história de um romance, uma ficção criada pelo autor, mas também histórias de pessoas anônimas que deixaram apenas uma declaração apaixonada na primeira folha. “Um livro antigo te permite imaginar histórias além daquelas já impressas. Aquela nostalgia que existe nas folhas mais amareladas faz com que você se pergunte sobre quantos e quais olhares já passaram por suas linhas”, disse Marcela. Gastar um final de semana desbravando os sebos do centro antigo de São Paulo é, sem dúvida, uma ótima opção de passeio cultural.

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Categorias: Atena, Literatura

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