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Tecnologia, Pirataria e Rock’n Roll

As contribuições e os males da internet na música


Muitas pessoas sonham em subir nos palcos, ouvir multidões aplaudindo, pisar num carpete vermelho, entrevistas para revistas, ser perseguido por groupies e paparazzi, assédio dos fãs e até com o cansaço nas mãos de dar autógrafos, além das conseqüências óbvias como dinheiro, fama, sucesso. Poucos sabem que é um sonho que pode ser realizado e ainda com a ajuda do desenvolvimento da internet.Bastantes bandas independentes buscam alternativas como o Pocket BDG, uma ferramenta gratuita que ajuda a divulgar músicas em qualquer site da internet e o Youtube onde inclusive se divulgam vídeos.

Nos tempos atuais, os músicos ficam conhecidos primeiro na internet, principalmente pela página do My Space.com.

Para quem ainda não tem conjunto formado, há sites como o Brasil Music Express.com onde é possível enviar e encontrar anúncios de bandas que procuram músicos e músicos que procuram bandas. O Orkut, o maior site de relacionamento da web, possui uma comunidade chamada “Um dia eu vou ter uma banda” com mais de 23 mil membros que se tornou responsável por muitos novatos.

A internet foi um dos instrumentos pelo qual a tecnologia conseguiu progredir tanto. Hoje, ela é o novo patrocínio no mercado musical. Mas anda prejudicando os veteranos. A venda de CDs caiu 50% com a chegada do MP3 Player que facilita o acesso de troca digital de músicas através de programas específicos. A divulgação da internet passa por cima das rádios e das lojas. Primeiramente, porque chega antes do que em qualquer outra mídia e segundo, porque você não paga para ouvir e ainda é possível gravar em um CD-R, que custa em média apenas um real.
A justificativa da existência e da persistência da pirataria não é o preço alto. É o sistema como um todo.
Já um CD original chega a custar por volta de R$ 35. Todavia, não deixam os músicos ricos como a maioria acredita. Por venda unitária, o artista recebe por volta de 10 centavos. As gravadoras, defendendo-se, dizem que o preço envolve os custos da produção musical e do encarte.
A economia brasileira deficitária, portanto, acaba abraçando um crime: a pirataria. Devido às atuais situações financeiras, os consumidores ficam encurralados e a saída são os downloads de músicas por algum programa especifico ou o camelô da esquina. Em qualquer camelô, um CD é comprado por mais ou menos cinco reais, ou seja, 14% do custo de um original.
Para cada 10 CDs originais, são vendidos cinco piratas.
Não apenas CDs são copiados e vendidos ilegalmente, mas também DVDs, softwares, livros, remédios, roupas, calçados, relógios, bolsas, brinquedos, perfumes. Existe ainda o tráfico ilegal de animais e/ou recursos biológicos chamados de biopirataria.

A pirataria já virou uma epidemia. Está inserida na sociedade. O povo não percebe a ligação com o crime. Ainda mais que a sociedade não possui um bem-comum. Só se preocupa com seu bolso, só se enxerga os próprios interesses. Enquanto isso acontecer, não só a pirataria existirá, mas a carência em transportes, saúde, educação e por aí vai…

A justificativa da existência e da persistência da pirataria não é o preço alto. É o sistema como um todo. Quem vende produtos ilegais está cometendo um crime. Quem compra também, está sendo cúmplice, financiando não só a pirataria, mas todo o caminho criminoso que ela percorre. Não dá para saber quem é mais criminoso: o vendedor, o consumidor ou o governo e a polícia

O governo possui taxas abusivas de impostos em cima dos CDs (em cima de tudo), não há uma legislação séria que puna os infratores e há uma falta de vergonha na cara da polícia que não fiscaliza direito e/ou coopera com esse e muitos outros crimes.
Nós, cidadãos, temos o direito de exigir e nos mobilizar para que isso mude. Mas não adianta cobrar nada de ninguém se nós mesmos não nos conscientizarmos que estamos prejudicando não só os artistas com a pirataria, mas a nós mesmos. Os artistas e os consumidores deveriam se unir e se mobilizar, apoiando uma guerra contra as gravadoras gananciosas e os piratas.

Por Érica Perazza

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Categorias: Artemis, Ciência e Tecnologia, Música

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