Direitos Humanos e Femininos

 

Jéssica Oliveira

                  

XX

Era uma vez há 62 anos [...]

Em 10 de dezembro de 1948 foi adotada e proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.” - Trecho do Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

E mais de meio século depois – aproximadamente 22630 dias – o que mudou? Esperava-se que o ser humano fosse consciente e suficientemente emancipado para tratar a todos de igual pra igual e respeitar diferenças. E no século XXI, isso – ainda – não ocorre.

O pressuposto da universalidade esbarra em limites estruturais de uma sociedade capitalista, que tem seus moldes reproduzidos através da divisão de trabalho, de classes, de conhecimento, para citar só alguns exemplos. Os Direitos Humanos foram fundados na democracia e cidadania burguesa, que por sua vez foi fundada na propriedade privada dos meios de produção. Tal sequência evidencia o impasse entre o discurso abstrato da universalidade e a defesa de interesses privados.

Talvez seja por isso que ainda se faz necessário lutar para ter o mínimo de respeito. Diversos movimentos por igualdade continuam sofrendo resistência em todos os níveis para fazer valer os tais Direitos Universais.

Artigo I

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II

Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Recentemente o mundo viu, ouviu e leu o julgamento de uma iraniana, pela pena de morte, ser anunciada como um espetáculo público que devesse ser assistido e aplaudido por quantos espectadores fosse possível. Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, foi condenada em 2007 ao apedrejamento por adultério. Após apelos internacionais, a pena foi trocada para enforcamento. Sakineh está presa em Tabriz, no Irã. Caso fosse um homem na mesma situação, o desfecho seria outro, bem diferente.

O caso ‘Sakineh’ é apenas um exemplo que veio à tona através da mídia. Seu drama atravessou fronteiras, continentes e foi entendido em vários idiomas. Graças à repercussão mundial, questionamentos importantíssimos a respeito dos Direitos Humanos permearam a esfera midiática, jurídica, religiosa, social, acadêmica e familiar. Alguns avanços – ou retardamentos de sua sentença – foram conquistados. Infelizmente, estamos longe de viver em um mundo onde os direitos sejam realmente iguais. Quantas mulheres ainda se escondem sob vestimentas, atrás de lágrimas, em nome dos filhos e em defesa da reputação, para escapar da intolerância, do preconceito, do constrangimento e da violência pelo ‘crime’ que cometeram por pertencerem a esse sexo?

Artigo XXIII

1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.

2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.

3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.

4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.

Quantas mulheres ocupam cargos de chefia em grandes empresas, mas ganham abaixo do que um homem na mesma função? E mesmo após todas as conquistas e sua importância familiar, social, histórica, política e, inclusive, financeira; a mulher é alvo de preconceito, repressão sexual, julgamentos morais e violência. A razão de tudo isso? Uma diferença genética nos cromossomos.

Segundo Marx, o destino humano não depende de um indivíduo isolado, mas de um projeto político coletivo que pode ou não se realizar em determinadas circunstâncias históricas. Considerando esse pressuposto, a mudança está vinculada a um projeto de sociedade que não cabe no capitalismo, mas supõe sua superação.

Estamos vivendo o fim do capitalismo? Essa fase de incertezas representa o momento de transição? Há quem diga que sim, há quem diga que não, mas independente de teorias, não vai dar pra esperar. Ninguém quer ver o futuro repetir o passado. E, mesmo com nossos superpoderes, dificilmente uma de nós, mulheres, gostaria de “nadar com ratos”.

About these ads

Tags:, , , , ,

Categorias Comportamento, Hades, Oriente Médio, Política Internacional

Pandora nas redes sociais

Subscribe to our RSS feed and social profiles to receive updates.

2 Comentários em “Direitos Humanos e Femininos”

  1. Rafael__(rA')
    18 de novembro de 2010 at 20:07 #

    Parabéns jé, texto muito bem escrito!

  2. Rafael
    19 de novembro de 2010 at 16:21 #

    Jeh, fico show o texto!!! =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 915 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: