500 (des)ilusões amorosas

Filme de comédia romântica com grande dose de realismo

Por Érica Perazza

 
A maior e mais tradicional maratona cinematográfica de São Paulo teve sua 33ª edição, de 23 de outubro ao dia 5 de novembro. Foram 424 títulos nacionais e internacionais exibidos na Mostra Internacional de Cinema em 16 cinemas da cidade. Entre eles, o longa “500 Dias Com Ela” (500 Days of Summer) que chega agora nas locadoras.

O filme “não é uma história de amor, é uma história sobre amor” que afirma existir apenas dois tipos de pessoas: homens e mulheres. Tom, interpretado por Joseph Gordon-Levitt (de “10 coisas que eu odeio em você”) é um aspirante a arquiteto que trabalha num escritório como escritor de cartões postais piegas e que procura sua alma gêmea. Ele conhece Summer (Zooey Deschanel, de “Sim, Senhor!”), a nova assistente de seu chefe, recém chegada de Michigan. Embora de mundos diferentes, Tom logo descobre que ele tem muitas coisas em comum com ela: os dois adoram The Smiths e têm uma queda pelos quadros de Magritte. No dia 1, eles se conhecem. Lá pelo dia 32, Tom está perdidamente apaixonado. Os dois desenvolvem uma relação, mas há um problema: ela não acredita no amor.

          Ele fica sem rumo depois de levar um fora de Summer e então volta a vários momentos dos 500 dias que passaram juntos para tentar entender o que deu errado. Suas reflexões acabam levando-o a redescobrir suas verdadeiras paixões na vida.

O diretor, Marc Webb, estreante em longas, usa sua experiência em contar histórias curtas em videoclipes – ele já dirigiu uma centena deles – para imprimir um ritmo todo particular à produção. Ele pega os 16 meses da história de Tom e Summer e os recorta, apresentando-os de maneira não linear. Momentos bons, ruins e comuns alternam-se agrupados por eventos, mostrados pela perspectiva de Tom. Webb também referencia seu passado criativo na inspirada trilha sonora. Dança, música e até animações se misturam para traduzir o íntimo do protagonista. A trilha sonora é impecável, desde The Smiths com “There Is A Light That Never Goes Out” a Carla Bruni com “Quelqu’un M’a Dit”, atua como uma “terceira personagem”.

O momento mais poderoso do filme é quando a tela separa “Realidade” e “Expectativa”.

Nós criamos expectativas, inventamos cenas que não vão passar de frustrações, pois nada daquilo foi, é ou será real.

             Fã de romances, a cinéfila Daniela Shimayev disse que o filme superou suas expectativas. “O ponto de partida dessas histórias no cinema inevitavelmente sempre passa pelo estágio do desentendimento do casal e deriva para um final em que os protagonistas ficarão juntos ou seguirão caminhos distintos. No entanto, 500 Dias Com Ela consegue subverter as regras do gênero de uma maneira divertida, criativa e inteligente, dando ao público uma experiência nova – ainda que parcialmente conhecida”, observa Daniela.

O filme remete a ideia de que devemos acreditar em nós mesmos, e não em contos de fadas.  Tom resume a essência do filme em: “É por causa das cartas, dos filmes, das canções que nós acreditamos no amor, mas não há amor, não existe mágica.” Culpamos as bruxas e madrastas más quando é nossa culpa. Nós que temos que construir nossos próprios reinos e decidir nossos próprios finais.

Assista ao trailer

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